Dica Cultural: Filme - Ele não está tão a fim de você


A dica cultural de hoje (fazia tempo que eu não indicava nada, aliás!) é um filme bem ao estilo “Sessão da Tarde”, comédia romântica, tranquilinha, sem nenhuma complexidade, mas gostoso de assistir. Chama-se "Ele não está tão a fim de você", 2009, Direção: Ken Kwapis.

É um filme despretensioso, mas que nos faz perceber o quanto o comportamento das mulheres em relacionamentos está pautado em uma ideia errônea sobre amor-próprio que é difundida dentre as famílias e na sociedade e cultura em que vivemos.

A história gira em torno de personagens mulheres, cujos relacionamentos amorosos passam por diferentes fases e dilemas. As principais histórias, que se intercalam, são: Gigi, a personagem principal , está solteira e em busca de um grande amor, porém, a cada encontro, frustra-se com o fato de seus pretendentes não ligarem no dia seguinte e ela procura encontrar as justificativas para isso; Janine vive um casamento em crise e procura diversas justificativas para não aceitar que seu marido é um mentiroso; Beth vive um relacionamento longo e sofre com a cobrança interna e da família de que se case.

O principal desse filme é poder perceber que, desde muito cedo, as meninas são ensinadas que se um menino as trata mal é porque ele está apaixonado e não sabe como demonstrar. Isso gera um ciclo de crenças que faz com que mulheres acreditem que, se são mal tratadas, devem continuar insistindo no relacionamento, porque isso deveria ser um sinal de amor. Por outro lado, os meninos também são ensinados que não devem demonstrar seus sentimentos e que serem grosseiros é sinal de masculinidade e vigor. Dessa forma, homens e mulheres sofrem desde a infância até a idade adulta.

Gigi, a personagem principal do filme, encontra um amigo que lhe diz muito claramente que se um homem não liga, não a trata bem e não faz questão de estar junto é porque, muito provavelmente, “ ele não está tão a fim de você”. Não há mensagem secreta embutida em pequenos sinais, é isso e ponto. Duro, mas verdade. Melhor aceitar a frustração de que alguém pode não se interessar por manter um relacionamento com você do que seguir sendo rejeitada acreditando que esse comportamento na verdade significa amor. É isso que te fizeram acreditar, mas não é assim que tem que ser. Bola pra frente!

Além dessa grande sacada, o filme mostra a pressão cultural que é para homens e mulheres casarem e constituírem família, porque atingiram determinada idade ou porque já namoram há muito tempo, mesmo que não estejam preparados para isso. Casamento não significa felicidade, embora seja possível ter um casamento muito feliz. A questão é: não há regra geral para todo mundo, cada um deve apropriar-se de suas escolhas e para isso é preciso muito autoconhecimento e coragem para bancar sua própria verdade.

É isso, assistam e comentem nas redes o que acharam!


Até a próxima!

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